Leia os livros escritos por Dom Mauro Morelli:
Como Fazer Nova a República, Editora Vozes, 1985.
Amanhecer do Novo – Profecia de João XXIII, Editora Vozes, 1985.
Bispo emérito da Diocese de Duque de Caxias e Presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais(CONSEA-MG)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
"A fome é um crime hediondo e grave pecado", afirma Dom Mauro Morelli
21 de maio de 2013
Do IHU Online
“Com o Papa Francisco, é possível que se revertam as opções
predominantes na vida eclesial nas últimas décadas. Num mundo torturado
pela fome, a maré ‘não está pra peixe’. Quem tem ouvidos, ouça!”,
declara bispo emérito da Diocese de Duque de Caxias e São João de
Meriti.
“De 32 milhões de brasileiros, ainda subsistem 16 milhões em estado
de insegurança alimentar e nutricional; mas a presunção nos leva a
acreditar que em menos de duas décadas resolvemos uma calamidade que
perdura desde 1500”, afirma Dom Mauro Morelli, bispo emérito da Diocese
de Duque de Caxias e São João de Meriti, que há anos dedica-se a
solucionar os problemas da fome e da miséria no Brasil.
Um dos críticos do Programa Fome Zero, no governo Lula, Morelli
afirma que “a visão triunfalista impede dizer que não fizemos o mais
importante. Patinamos em medidas assistenciais, exigência do direito
lesado, negado ou periclitante, mas que, por natureza, não se destinam a
equacionar problemas estruturais”.
Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ele assinala que o
mapa da fome cobre “toda a superfície do planeta e não será resolvido
pela economia de mercado”. Cita como exemplo a proposta da Cúpula da
Alimentação, convocada pela ONU, a qual tinha o objetivo de reduzir pela
metade o número de famintos no mundo até 2015.
“Tudo o que foi feito não atinge o objetivo proposto, ou seja,
quatrocentos milhões, uma vez que estamos chegando a 2015 com mais de 1
bilhão de seres humanos sofrendo os horrores da fome não atendida”,
lamenta.
Mauro Morelli foi o fundador do Instituto Harpia Harpyia e um dos
fundadores do Movimento pela Ética na Política. Fortaleceu a Ação da
Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Esteve à frente da
criação do conceito de segurança alimentar como combate à fome e foi um
dos articuladores do programa Mutirão de Combate à Desnutrição
Materno-Infantil.
Foi membro do Comitê Permanente de Nutrição da ONU, e atualmente é
presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável
de Minas Gerais – CONSEA/MG.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – A partir do trabalho que
desenvolveu de combate à miséria e à fome, como avalia essa questão no
país? Considerando o tempo que o senhor atua a favor dessa causa, que
balanço faz da questão?
A fome em si é coisa boa. Um sintoma ou alerta emitido pelo cérebro
para chamar atenção para a necessidade de alimentar e nutrir o
organismo, pois a vida é um processo permanente de alimentação. Alimento
é Vida.
Problema sério é ser privado do direito ao acesso e gozo do
alimento. Mais do que um problema, trata-se de ser vítima de crime
hediondo e grave pecado. A questão não é acabar com a fome, mas garantir
acesso e gozo ao alimento que sacia e nutre.
A Força da Vida vem da luz, do oxigênio, da água, das carícias da
brisa e da ternura do amor. Leite materno, arroz e feijão, legumes e
frutas, peixes e carnes são indispensáveis nas etapas de nosso
desenvolvimento e formação.
Alimentação saudável, adequada e solidária é imprescindível desde a
gestação até o encerramento do ciclo histórico de nossa existência. Em
nosso DNA estão registradas certezas e angústias da importância
prioritária do alimento e da nutrição na história da humanidade.
As civilizações e a rica diversidade cultural entre os povos
atestam a centralidade do alimento e da nutrição para a realização das
pessoas, das famílias e nações. Alimento e nutrição são exigências
inegociáveis da nossa vida no planeta, portanto direito humano básico e
determinante para tudo o mais.
A garantia do alimento fundamenta a própria paz. Alimentar o corpo,
a alma e o espírito é questão de cidadania planetária e razão primeira
do progresso e do desenvolvimento.
IHU On-Line – Como se constitui hoje o mapa da fome no
Brasil? Em que regiões do país a fome ainda continua sendo um problema
central?
O Mapa da Fome cobre toda a superfície do planeta e não será
resolvido pela economia de mercado; ao contrário, ele é cada vez mais
agravado pela degradação ambiental e exclusão social, pela instabilidade
do emprego e migração forçada a que famílias e povos estão submetidos,
submissão que se dá por um modelo de desenvolvimento que suga as
riquezas da terra e as energias de quem trabalha e, ao mesmo tempo, que
cultiva o desperdício e concentra bens e riquezas.
Em 1996, em Roma, a Cúpula da Alimentação, convocada pela ONU,
marcou data e definiu compromisso para o enfrentamento do problema da
fome no mundo. “Tudo faremos para reduzir pela metade o número de
famintos no mundo até 2015”.
Em verdade tudo o que foi feito não atinge o objetivo proposto, ou
seja, quatrocentos milhões, uma vez que estamos chegando a 2015 com mais
de 1 bilhão de seres humanos sofrendo os horrores da fome não atendida.
É impossível sonhar com a paz enquanto uma só criança definhar e morrer
de fome (Isaías, 65).
Entre nós, muito foi feito; de 32 milhões de seres humanos, ainda
subsistem 16 milhões em estado de insegurança alimentar e nutricional.
Mas a presunção nos leva a acreditar que em menos de duas décadas
resolveremos uma calamidade que perdura desde 1500.
Mais grave ainda é a visão triunfalista que impede dizer que não
fizemos o mais importante. Patinamos em medidas assistenciais, exigência
do direito lesado, negado ou periclitante, mas que, por natureza, não
se destinam a equacionar problemas estruturais.
A obesidade em números alarmantes é a outra face da realidade
nutricional resultante do assistencialismo com suas migalhas e da falta
de educação alimentar e nutricional que nos motive a comer e beber como
opção pela vida. Não nos esqueçamos, além do mais, que “o veneno está à
mesa”, dada a qualidade dos alimentos produzidos e comercializados
visando o lucro.
Deve ser atribuído a Josué de Castro o mérito de termos atingido
elevado grau de consciência sobre as causas e males da fome. Por seu
testemunho e obra, pode ser denominado e honrado como o grande Profeta
da Vida no século XX. Nos mangues do Capibaribe, e não na Sorbonne, ele
entendeu a fome.
“Um dos fatores mais constantes, o desequilíbrio econômico, com as
desigualdades sociais que dele nascem”. “A fome sempre existiu perto da
riqueza e da abundância. O que é novo no mundo é a consciência que os
povos famintos têm da realidade social e da sua condição e a impaciência
que experimentam para se libertar da fome e de suas misérias”.
Na obra Geopolítica da Fome (1946), afirma com indignação: “Nenhuma
calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão
nocivo a personalidade humana como a fome”.
IHU On-Line – Em que consiste uma política pública comprometida em acabar com a fome no mundo?
Na Carta Encíclica Caridade na Verdade (n. 27), Bento XVI louva a
“quem se consagra a trabalhar para erradicação da miséria e dos males da
fome, pois contribui para a preservação do planeta e a paz mundial”.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em sua 40ª
Assembleia Geral (2002), assumiu o compromisso de promover um Mutirão
Nacional à luz de “Exigências Evangélicas e Éticas para a Superação da
Miséria e da Fome” (Doc. 69).
Observo que, no número 66, não deixa dúvida que “um dos primeiros
sinais de efetiva evangelização, no início deste milênio, será a
eliminação da fome decorrente da miséria, em nosso país”. No número 65
recomendava acompanhar a continuidade da Cúpula Mundial da Alimentação!
Com o Papa Francisco é possível que se revertam as opções
predominantes na vida eclesial nas últimas décadas. Num mundo torturado
pela fome, a maré “não está prá peixe”. Quem tem ouvidos, ouça!
Cabe à família, à sociedade com todas suas instituições, e aos
governos, em todos os níveis e áreas de abrangência, zelar, promover e
garantir o acesso e gozo do alimento e da nutrição a cada criança que
nasce neste planeta. Devemos combater a concentração de riqueza e sua
filha primogênita, a miséria.
Integrados na cadeia alimentar, que constitui a riqueza e a
originalidade do planeta em que fomos dados à luz, cabe-nos zelar e
cuidar das fontes da vida e de sua sociobiodiversidade.
É tarefa urgente fazer surgir e/ou fortalecer sociedades
democráticas que garantam e promovam o bem comum e direito humano
básico, assegurando a cada um o acesso ao alimento e à nutrição para uma
vida saudável e participativa.
Além disso, é tarefa urgente promover o desenvolvimento local,
integrado e sustentável que defenda, preserve, recupere e conserve o
meio ambiente para a atual e para as futuras gerações.
Pode ser um bom começo planejar o desenvolvimento de baixo para
cima, em cada microbacia, à luz do binômio indissolúvel Educação e
Nutrição, para atingir os objetivos da Lei n. 11.957, com novas
disposições sobre alimentação escolar.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Leitura recomendada
Leia o livro escrito por Dom Mauro Morelli, publicado em 1985 pela Editora Vozes.
Amanhecer do Novo – Profecia de João XXIII
Amanhecer do Novo – Profecia de João XXIII
terça-feira, 2 de abril de 2013
REDE SEMENTE DE PAZ
Computação em Nuvem
*
Apresentação
*
Alimento é Vida. A Vida é um processo permanente de
alimentação.
A força da Vida vem da luz, do
oxigênio, da água, das carícias da brisa que sopra e da ternura do amor. Leite
materno, arroz e feijão, legumes e frutas, peixes e carnes, são indispensáveis
nas etapas de nosso desenvolvimento e formação.
Alimentação saudável adequada e
solidária é fundamental desde a gestação até o encerramento do ciclo histórico
de nossa vida. Em nosso DNA estão registradas certezas e angústias da
importância prioritária do alimento e da nutrição na história da humanidade.
As civilizações e a rica
diversidade cultural entre os povos atestam a centralidade do alimento e da
nutrição para a realização das pessoas, das famílias e das nações. A garantia do alimento fundamenta a própria
paz.
Alimento e nutrição são exigências
inegociáveis da nossa vida no planeta, portanto um direito humano básico e
determinante para tudo mais. Alimentar o corpo, a alma e o espírito, uma questão
de cidadania planetária e razão primeira do progresso e do desenvolvimento.
Assim, pois, cabe à família; à
sociedade, com todas as suas instituições; e aos governos, em todos os níveis e
áreas de atuação e abrangência; zelar, promover e garantir o acesso e gozo do
alimento e da nutrição a cada criança que nasce neste planeta, em todas as etapas
de sua vida.
Integrados na cadeia alimentar
que constitui a riqueza e a originalidade do planeta em que fomos dados à luz,
cabe-nos zelar e cuidar das fontes da vida e da riqueza da sociobiodiversidade
do Planeta Azul. Nada de desperdício e de acúmulo de riqueza e de bens. Com
gratidão e comprometidos com o futuro da vida do planeta, cultivemos a
sustentabilidade através da frugalidade e sobriedade de vida.
A Companhia de Processamento de
Dados do Município de Porto Alegre – PROCEMPA e o Instituto Harpia Harpyia –
Agência de defesa e de promoção do direito humano básico ao alimento e à
nutrição - INHAH, como expressão de responsabilidade social, oferecem uma
plataforma virtual para o pouso e o diálogo entre pessoas e instituições do
planeta comprometidas com o Alimento como Caminho da Paz.
Estamos articulando um Centro
Virtual de Convergência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, com
suporte avançado de Tecnologia de Informação e Comunicação e visão da
problemática relacionada à fome no mundo, tendo o direito como fundamento, o
meio ambiente como determinante e a saúde como razão de ser. A criança, a
menina dos olhos!
Com ousadia e confiança
apresentamos esta iniciativa, denominada REDE SEMENTE de PAZ, contando com a
participação e generosidade de parceiros no processo de montagem, definição,
coordenação e sustentação da plataforma que nos proporcione avanços no diálogo para
a superação da exclusão social, degradação ambiental e dos males da fome.
Queremos sonhar e caminhar em
busca do Dia da Paz quando nossa gente vai colocar a semente na terra para uma
colheita abundante (Zacarias 8, 4-5 e Jeremias 31,12-15). Então, nossas
crianças crescerão vigorosas, inteligentes, criativas e bem humoradas.
Quem somos
REDE SEMENTE DE PAZ – CENTRO DE
CONVERGÊNCIA EM SANS
Como Centro de Convergência em
Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, constitui-se uma rede de atores
sociais, políticos e acadêmicos capazes de articularem áreas de conhecimento,
produção científica e do saber popular, para pesquisa, informação,
monitoramento, documentação, banco de dados, mobilização social, formação,
promoção da cidadania e participação social pelo direito humano à alimentação e
nutrição; capazes de propor políticas públicas, assim como soluções
tecnológicas, pedagógicas e metodológicas para a segurança alimentar e
nutricional sustentável, assim contribuindo para a defesa e promoção da
nutrição materno-infantil, a saúde do povo, o exercício da cidadania e
consequente fortalecimento da democracia.
OBJETIVO GERAL
Contribuir para o surgimento e
fortalecimento de Sociedades Democráticas, em Estado constituídas, que garantam
e promovam o bem comum primeiro e direito humano básico, ou seja, que assegurem
a cada ser humano o acesso ao alimento e à nutrição para uma vida saudável e
participativa, pela promoção do desenvolvimento local, integrado e sustentável
que defenda, preserve, recupere e conserve o meio ambiente para atual e futuras gerações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
( Em breve continuação)
sexta-feira, 8 de março de 2013
Enfrentamento da seca em Minas Gerais
|
O presidente do CONSEA, Dom Mauro
Morelli, entregou ao CTSANS uma moção para o enfrentamento da seca em Minas Gerais. O
documento foi apresentado durante reunião realizada no Palácio Tiradentes
|
O Semiárido em Minas Gerais abrange as regiões Norte de
Minas e Vale do Jequitinhonha, onde vivem mais de 3,5 milhões de pessoas, e
caracteriza-se, principalmente, pela distribuição irregular de chuvas durante o
ano. A região enfrenta, atualmente, uma das piores secas registradas nos
últimos 40 anos em consequência das mudanças climáticas que vêm afetando todo o
planeta com irregularidades e concentração das chuvas em curtos períodos.
Esse fenômeno intensifica-se com o processo de
desertificação que enfraquece os solos diminuindo a capacidade de produção da
agricultura familiar e camponesa, não havendo água de qualidade para consumo e
tão pouco para a produção de alimentos.
Estima-se que a vida de 30.000 (trinta mil) famílias está
ameaçada nos processos reprodutivos, que pode ocasionar o êxodo rural em busca
de sobrevivência, constituindo-se, assim, os refugiados da seca e da fome em
nosso Estado.
Diante desta situação, o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG) deliberou em plenária
no dia 04/03/2013 recomendações ao Governo do Estado como medidas urgentes de
curto, médio e longo prazo, a serem ampliadas com outras estratégias
governamentais, para enfrentamento desta situação:
·
Destinar recursos
do Fundo Estadual de Erradicação da Miséria (FEM) à aquisição de alimentos para
o consumo humano e animal, com apoio da defesa civil, garantindo que o processo
de identificação e seleção das famílias seja realizado com a participação
efetiva do CONSEA-MG, por meio das Comissões Regionais de Segurança Alimentar e
Nutricional Sustentável.
·
Solicitar à Companhia
Nacional de Abastecimento (CONAB), através dos estoques reguladores de grãos, a
doação de alimentos para consumo humano e animal e de sementes.
·
Possibilitar às
famílias flageladas acesso aos serviços e políticas públicas dos programas Água
para Todos, Cultivar, Nutrir e Educar, Bolsa Verde, Regularização Fundiária,
entre outros.
·
Estabelecer
parceria com os municípios que possuem bancos de alimentos e outros
equipamentos de segurança alimentar e nutricional, mapeando e identificando a
produção excedente e garantindo a logística de distribuição.
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